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Otite externa: uma colheita adequada é fundamental para o diagnóstico.

04 de Maio, 2022

A otite externa é uma das queixas mais comuns nas consultas de cães e gatos. Há numerosos agentes envolvidos tais como fungos (Malassezia pachydermatis), ácaros (Octodectes cynotis) e bactérias (Staphylococcus spp., Proteus spp. Pseudomonas spp., Escherichia coli).1 No caso dos ácaros estes podem atuar com agentes primários na otite externa enquanto os fungos e bactérias são geralmente considerados oportunistas e fatores perpetuadores na patogénese da otite.1 Nas causas primárias, para além dos ácaros, incluem-se por exemplo processos alérgicos e endocrinopatias que ao originarem reações inflamatórias levam à proliferação da microflora local.1

Para um correto maneio da otite externa em cães e gatos é fundamental determinar, para cada caso, as causas primárias predisponentes e perpetuadoras da patologia. Para além disso, é essencial um diagnóstico e escolha adequada do tratamento.1

Para um correto diagnóstico de otite externa é fundamental um bom exame físico, parasitológico, citológico e cultural permitindo a identificação da etiologia e de seguida a escolha do tratamento adequado evitando desta forma as recidivas e insucessos terapêuticos.1

Quanto à colheita do material para citologia e cultura é importante que esta seja feita de forma asséptica, sendo recomendada a limpeza superficial do pavilhão auricular com gaze estéril e soro fisiológico. De seguida, utilizando uma zaragatoa deve friccionar-se a parede do canal auditivo, o mais profundamente possível, evitando o contacto com o cerúmen e outros materiais contaminados. Devem ser utilizadas zaragatoas diferentes para citologia e cultura. No caso da citologia, o material da zaragatoa deve ser espalhado suavemente numa lâmina logo após a colheita e na cultura a zaragatoa deve ser colocada no meio de transporte e imediatamente fechada.

Os agentes mais frequentemente isolados nas culturas auriculares são: Pseudomonas aeruginosa, S. pseudointermedius, E. coli e Proteus mirabilis. Uma vez que os exsudados auriculares são por norma extremamente contaminados, o tempo de resposta destas culturas é, inevitavelmente, mais prolongado, pois exige múltiplas repicagens das colónias em crescimento, até se conseguir uma cultura pura do agente predominante, que será o causador da doença. Quanto mais asséptica for a colheita, menor a contaminação e também menor a probabilidade de resultados inconclusivos indesejados (polimicrobianos).

Após a identificação por citologia e cultura de um eventual agente infecioso é essencial a realização de um antibiograma. Para uma adequada abordagem terapêutica deve ser realizada limpeza e administração preferencialmente tópica de anti-inflamatório e antibiótico. A antibioterapia deve sempre ser realizada de acordo com a suscetibilidade do agente em causa.2


1 - Nardoni S, Ebani, VV, Fratini F, Mannella R, Pinferi G, Mancianti1 F, Finotello R, Perrucci S. Malassezia, mites and bacteria in the external ear canal of dogs and cats with otitis externa. Slov Vet Res 2014; 51(3):113-18. 

2 - Malayeri HZ, Jamshidi S, Salehi TZ. Identification and antimicrobial susceptibility patterns of bacteria otitis externa in dogs. Vet Commun 2010; 34:435-444.


Topics:

  • Citologia

Daniela Duque

Concluiu o Mestrado Integrado em Medicina Veterinária pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar em 2016 e, no mesmo ano, começou a desempenhar funções de Patologista Clínica na INNO. Tem uma pós-graduação em Medicina Interna de Pequenos Animais pela Improve International (2021).

Atualmente, trabalha com a realização e a interpretação de Hematologia, Bioquímica, Endocrinologia, Urianálise, Microbiologia, Parasitologia, Imunologia, Citologia e Biologia Molecular. Presta consultoria médica e apoio técnico a clínicos com aconselhamento pré-analítico, analítico e apoio na interpretação de resultados.

Antes de ingressar na INNO, realizou estágio extracurricular no Laboratório de Microbiologia e Tecnologia Alimentar no ICBAS e estágio curricular na Direção de Serviços de Alimentação e Veterinária da Região do Norte. Desde 2020, atua também como Auditora Externa de Segurança Alimentar na Sonae MC (Braga). 

Com o objetivo de adquirir novas competências e atualizar conhecimentos, participa em diversas palestras e congressos nacionais. Realizou diversas formações na área, entre elas: Curso Intensivo (CPD) em Citologia (DipECVCP), Curso Intensivo (CPD) em Hematologia Avançada (Batt Laboratories, Coventry - Reino Unido), Formação Antibioterapia em Medicina Veterinária (ISPUP) e workshop “Tricograma. Citologia cutânea e óptica. Biópsia. Skin test.- Como ? Quando? Porque? De que lesões?” (Centro de Formação Montenegro).


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