Corpos de Heinz e anemia por dano oxidativo.
05 de Maio, 2022
Os corpos de Heinz foram descritos pela primeira vez em 1890 como estruturas redondas em protusão na superfície dos eritrócitos de humanos e animais. Estas estruturas, que estão associadas a destruição eritrocitária, podem ser encontradas em várias espécies secundariamente a dano oxidativo. As causas mais frequentes de dano oxidativo nas espécies domésticas são a administração de acetaminofeno (Cão/Gato), ingestão de cebola (Cão/Gato) ou alho (Cão), ingestão de propilenoglicol (Gato) e de zinco (Cão). Estão ainda descritas outras causas de aparecimento de corpos de Heinz, tais como hipertiroidismo, linfoma, diabetes mellitus, administração de benzocaína, fenazopiridina, azul de metileno ou vitamina K.
Os corpos de Heinz podem ser identificados em esfregaços corados com colorações do tipo Romanowsky (figura 1), no entanto, a sua identificação fica particularmente facilitada em esfregaços corados com azul de metileno, tal como se pode ver na figura 2. As imagens pertencem a um gato siamês que realizou um hemograma com avaliação do esfregaço sanguíneo no Laboratório INNO.
Augusto Silva
Licenciado em Medicina Veterinária pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS-UP), e após uma breve passagem pela clínica de pequenos animais, ingressou no Laboratório INNO em 2007 numa fase ainda embrionária, exercendo desde então funções como Patologista Clínico. No início de 2021, assumiu a Direção Técnica do laboratório.
Palestrante em congressos de Medicina e Enfermagem Veterinária, é ainda autor de vários trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais e de publicações em revistas científicas.
Tem como áreas de interesse a Hematologia e Endocrinologia. É membro da Sociedade Europeia de Patologia Clínica Veterinária e da Sociedade Europeia de Endocrinologia Veterinária, tendo sido o responsável no Laboratório INNO pela implementação e coordenação do programa de controle de qualidade externa (VEEEQAS) desta última.