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Diagnóstico serológico de Leishmaniose por ELISA.

05 de Maio, 2022

O diagnóstico da leishmaniose deve incluir não só a avaliação clínica como testes laboratoriais específicos (1). Os testes para diagnóstico de leishmaniose em cães mais correntemente usados na prática clínica incluem a citologia (de medula óssea, gânglio linfático, baço ou pele), a serologia - ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), IFI (Imunofluorescência Indirecta) e imunocromatografia (testes rápidos) - ou PCR (polymerase chain reaction). Qualquer que seja o teste utilizado é fundamental conhecer o tipo de método em causa para uma correcta interpretação dos resultados.

No laboratório, os soros testados para a leishmaniose pertencem não só a animais doentes, mas também a animais que são provenientes ou viajam para países ou áreas endémicas ou que vão ser incluídos em bancos de dadores, assim como a animais que estão a ser monitorizados para resposta a tratamentos. Mais recentemente, devido à comercialização de uma vacina e à existência de um novo protocolo de prevenção da doença, testam-se também animais para despiste dos seropositivos assintomáticos.

Os testes ELISA são testes imunoenzimáticos que permitem a detecção de anticorpos anti-Leishmania no soro. Nestes testes, são usadas microplacas em cujos poços, revestidos por antigénio, são colocadas as amostras diluidas. A reacção colorimétrica que se desenvolve no caso dos resultados positivos é quantificada por espectrofotometria. A avaliação não é, por isso, subjectiva como acontece noutros tipos de testes em que a avaliação pode depender da experiência do técnico (4).

Os resultados associáveis a elevados títulos de anticorpos, em animais com sinais clínicos da doença e elevadas cargas parasitárias, são compatíveis com o diagnóstico de leishmaniose (3).

Pelo contrário, títulos baixos de anticorpos não estão necessariamente associados à presença de infecção, pelo que com resultados desta natureza devem ser utilizados outros testes (por exemplo: citologia de órgãos ou tecidos, histopatologia e/ou PCR) para diagnóstico definitivo (1).

É importante referir que, após infecção, o período de incubação pode ser longo e, por isso, animais testados nesta fase podem apresentar resultados negativos. A bibliografia refere que os intervalos de seroconversão em infecções naturais podem ir de 1 a 22 meses, com um tempo médio de 5 meses (4).

Resultados negativos ou duvidosos em animais clinicamente suspeitos também devem ser testados por outros métodos, nomeadamente citologia e histopatologia; na ausência de sinais clínicos devem ser investigados outros diagnósticos diferenciais.

Os testes ELISA, com determinados tipos de antigénios (nomeadamente antigénios completos), podem apresentar reacções cruzadas com outras espécies de Leishmania e Trypanosoma, mas muito raramente com Babesia canis e Ehrlichia canis (3).

A maioria dos testes ELISA apresenta boas especificidades (capacidade para detectar os verdadeiros negativos) e sensibilidades (capacidade para detectar os verdadeiros positivos) para a detecção da leishmaniose; no entanto, isso pode depender dos tipos de antigénios utilizados nos diferentes testes. Os testes ELISA disponíveis no mercado apresentam geralmente especificidades de cerca de 100%, mas sensibilidades que podem variar entre os 75% e os 98% (3).

Um dado importante para o diagnóstico precoce da doença, é o referido num estudo em que se considera que o método ELISA detecta a presença de anticorpos de Leishmania mais cedo que os outros métodos de referência, podendo esse tempo variar entre os 119 dias do ELISA (IgG2) e os 247 dias da IFI (2).

Baseados num estudo realizado em infecções experimentais, alguns autores consideram que o método ELISA (IgG2) poderá ser o tipo de teste mais indicado para detecção da leismaniose nos cães (2).


1- Solano-Gallego L, Koutinas A, Miró G, Cardoso L, Pennisi MG, Ferrer L, Bourdeau P, Oliva G, Baneth G. Directions for the diagnosis, clinical staging, treatment and prevention of canine leishmaniosis. Vet Parasitol. 2009.165: 1-18.

2- Rodriguez-Cortés A, Ojeda A, Francino O, López-Fuertes L, Timón M, Alberola. Leishmania Infection: Laboratory Diagnosing in the Absence of a “Gold Standard” Am J Trop Med Hyg. 2010, February, 82(2): 251–256.

3- Greene, CE. "Leishmaniases". In: Infectious diseases of the dog and cat. 4thed. Elsivier Saunders.2012:734-749.

4- Paltrinieri S, Solano-Gallego L, Fondati A, Lubas G, Gradoni L, Castagnaro M, Crotti A, Maroli M, Oliva G, Roura X, Zatelli A, Zini E. Guidelines for diagnosis and clinical classification of leishmaniasis in dogs. JAVMA. 2010, June 1, 236-11: 1184-1191.


Topics:

  • Imunologia

Paula Brilhante Simões

Médica Veterinária licenciada pela FMV-UTL em 1987 e Mestre em Ciências Veterinárias pela UTAD em 2012, está atualmente a realizar o doutoramento em Ciências Veterinárias na UTAD. 

Executou funções de Direção Técnica no Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Veterinário do Porto entre 1990 e abril de 2008 e, entre junho de 2008 e dezembro de 2020, no Laboratório INNO.

Desde 2021 que desempenha as funções de Diretora Científica e Citologista na INNO. É docente do MIMV na CESPU, IUCS – Instituto Universitário de Ciências da Saúde. 

Realizou ao longos dos anos diversos cursos de especialização e pós-gradução; tendo participado como oradora em congressos e como formadora em vários cursos nas áreas de Citologia e Hematologia.

Possui publicações em revistas nacionais e internacionais da especialidade e sob a forma de painel. Tem ao longo dos anos orientado e monitorizado estágios curriculares e acessórios de alunos de diversas instituições públicas e privadas dos cursos de Medicina Veterinária e Análises Clínicas. 

Paralelamente, trabalha desde 1992 na Modelo Continente Hipermercados SA, da Sonae, em diversas lojas de distribuição como perita e auditora de segurança alimentar (SGSA).


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