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Novo método diagnóstico do Tétano: Toxinotipo de Clostridium tetani com identificação das toxinas tetânicas de A a F.

05 de Maio, 2022

O tétano é uma doença infeciosa causada por uma neurotoxina, formada durante o crescimento vegetativo da bactéria Clostridium tetani, que é um bacilo gram positivo, flagelado, não encapsulado, anaeróbio e produtor de esporos que podem sobreviver durante meses a anos.

A infeção desenvolve-se quando os esporos tetânicos contaminam feridas ou são inoculados por lesão penetrante com material contaminado. As toxinas, como a tetanospasmina, penetram nos axónios dos nervos motores, próximo da junção neuromuscular e ascendem por transporte intra-axonal retrógrado ao corpo neuronal na medula espinhal. Uma vez na medula, as toxinas ascendem bilateralmente até ao cérebro, migrando numa taxa de 75-250mm por dia. A tetanospasmina inibe a libertação dos neurotransmissores glicina e ácido gama-aminobutírico (GABA), responsáveis pelas respostas neuronais inibitórias, resultado em hiperexcitabilidade do sistema nervoso central (SNC). Com o progredir da infeção, há também a inibição dos neurotransmissores do centro inibitório parassimpático cardíaco, resultando no aumento do estímulo vagal. Os sinais clínicos desenvolvem-se geralmente em 5 a 10 dias, após infeção, sendo a progressão tanto mais rápida quanto mais proximal for a inoculação do SNC, ou quando a carga bacteriana é elevada.

Os cães e gatos apresentam resistência natural aos efeitos da toxina tetânica, quando comparados com outras espécies, especialmente o Homem e os equinos. Esta resistência deve-se à incapacidade da toxina em penetrar e ligar-se ao tecido nervoso. Contudo animais jovens e cães de raças grandes são mais comummente afetados.

O diagnóstico confirmatório é difícil, uma vez que a prova cultural do agente é bastante morosa e exige condições estritas de anaerobiose durante períodos prolongados, de no mínimo 12 dias. Para além de que a concentração do agente, sendo normalmente baixa nos tecidos infetados, dificulta a confirmação cultural.

Não havendo, neste momento, outros métodos de diagnóstico disponíveis, os testes moleculares tornam-se essenciais para a identificação das toxinas produzidas pelo agente e para confirmar a doença. Desta forma, apresentamos um novo método diagnóstico do tétano.

Para qualquer esclarecimento adicional, contacte o nosso laboratório.



Topics:

  • Biologia Molecular

Ricardo Lopes

Concluiu o Mestrado-Integrado em Medicina Veterinária pela Universidade de Évora em 2015 e realizou estágio curricular no Centro Hospitalar Veterinário no Porto. No mesmo ano, ingressou no Laboratório Veterinário INNO. 

Atualmente, exerce funções de Patologista Clínico e tem como áreas de atuação: Hematologia e Citologia, Bioquímica Clínica, Imunologia e Doenças Infecciosas.

Presta consultoria médica, serviço de apoio técnico a clínicos (Medicina Interna e Patologia Clínica), realiza e interpreta análises citológicas e faz interpretações escritas de Hematologia, Bioquímica, Endocrinologia, Urianálise, Microbiologia, Parasitologia, Imunologia e Biologia Molecular.

Desde 2015 trabalha paralelamente como Médico do Serviço de Emergência e Cuidados Intensivos do Hospital Veterinário de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia). E, em 2020, passou a atuar como Professor Assistente na CESPU - Instituto Universitário de Ciências da Saúde (Gandra, Paredes). 

Participa em diversas palestras e congressos nacionais, para além de orientar, monitorar e dar formação continuada a estudantes nas áreas de Patologia Clínica Veterinária. 

Concluiu diversas formações nacionais e internacionais, entre elas: Curso Intensivo (CPD) em Citologia (DipECVCP); Curso Intensivo (CPD) em Hematologia Avançada; Masterclass em Hematologia e Citologia; Curso Intensivo (CPD) em Feline Dermatology e Formação Intensiva em Medicina de Urgência e Cuidados Intensivos.


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