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Anemia por deficiência em ferro.

04 de Maio, 2022

O desenvolvimento de anemia por deficiência em ferro desenrola-se em 3 etapas, que podem ser caracterizadas através de diferentes achados laboratoriais (tabela 1).

Como consequência de um aporte nutricional insuficiente (raro) ou por perda externa crónica de sangue, ocorre uma deficiência em ferro. Nesta fase, a única alteração é a diminuição do ferro na medula óssea, visualizada como hemossiderina em esfregaços de medula corados com azul da Prússia.

Quando se esgotam as reservas de ferro na medula óssea, começa a ocorrer eritropoise deficiente em ferro e o ferro sérico e a % de saturação da transferrina começam a diminuir.

No último estádio, surgem eritrócitos microcíticos e hipocrómicos - está estabelecida a anemia por deficiência em ferro.

Durante a perda aguda de sangue, as reservas corporais de ferro são geralmente suficientes para responder a uma eritropoiese acelerada, pelo que a anemia por deficiência em ferro só se desenvolve após semanas a meses de perdas crónicas e recorrentes de sangue, tanto em animais jovens como adultos. As causas mais frequentes de perda externa crónica de sangue são hemorragia gastrointestinal, infestações severas por parasitas hematófagos (tais como pulgas, carraças ou ancilostomídeos), hematúria, epistaxis, coagulopatia, trombocitopenia e trombocitopatia.


1 – Bohn AA. Diagnosis of disorders of iron metabolismo in dogs and cats. Vet Clin Small Animal 2013; 43:1319-1330

2 – Naigamwalla DZ, Webb JA, Giger U. Iron deficiency anemia. Can Vet J 2012; 53:250-256

3 – Weiss DJ, Iron and copper deficiencies and disorders of iron metabolism. In Schalm’s Veterinary Hematology 6th Edition. Wiley-Blackwell

4 – Iron metabolism [Internet] Available from: https://www.eclinpath.com/chemistry/iron-metabolism/


Topics:

  • Hematologia

Augusto Silva

Licenciado em Medicina Veterinária pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS-UP), e após uma breve passagem pela clínica de pequenos animais, ingressou no Laboratório INNO em 2007 numa fase ainda embrionária, exercendo desde então funções como Patologista Clínico. No início de 2021, assumiu a Direção Técnica do laboratório.

Palestrante em congressos de Medicina e Enfermagem Veterinária, é ainda autor de vários trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais e de publicações em revistas científicas. 

Tem como áreas de interesse a Hematologia e Endocrinologia. É membro da Sociedade Europeia de Patologia Clínica Veterinária e da Sociedade Europeia de Endocrinologia Veterinária, tendo sido o responsável no Laboratório INNO pela implementação e coordenação do programa de controle de qualidade externa (VEEEQAS) desta última.


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